Livre brincar, livre explorar

Como o play pode impulsionar a criatividade e a inovação.


Brincar significa coisas diferentes para pessoas diferentes. E muitas vezes algo que já fizemos muito em uma determinada fase de nossas vidas, parece como algo incompatível com nossas vidas profissionais. Trazer elementos de diversão, e mais do que isso, uma mentalidade playful para o trabalho pode não ser confortável em certas organizações ou culturas. Mas uma coisa é certa: é muito mais fácil pegar ideias malucas e transformá-las em algo prático e factível do que pegar ideias que todo mundo fez e transformá-las em algo mais criativo.




Quando olho para a minha história, consigo enxergar como que o brincar evoluiu e conseguiu nitidamente me ajudar a construir minha identidade, desenvolver habilidades, elaborar e perceber situações de conflitos - reais ou imaginárias - além de me ajudar a construir uma visão própria sobre o mundo e as coisas à minha volta.


Seja nas minhas memórias infantis de role play com a minha irmã, à construção de artefatos e histórias com papel, caixas de papelão e sucata, passando pelo meu desenvolvimento e formação profissional como designer e estrategista, modelando sprints e workshops de co-criação, até minha mais recente experiência de livre brincar e construções de histórias usando legos com meu filho de 5 anos - minha nova dupla criativa! -, consigo perceber de forma muito real e vívida a potência que o estado experimental e fluído que o brincar consegue nos colocar.


Sam Wass, psicólogo infantil e neurocientista da Universidade de East London, estudou os cérebros das crianças enquanto brincavam. Nesse artigo, ele explica que as crianças tem o cérebro "superconectado" - há mais ligações entre diferentes neurônios no cérebro de uma criança do que em um adulto e, como resultado, seus cérebros são "mais confusos". Brincar ajuda-as a organizar essas informações.


Além dos benefícios neurológicos da brincadeira, Wass argumenta que ela ajuda as crianças a aprender sobre o mundo ao seu redor por meio de experimentos. Para muitos adolescentes, os games tem um papel fundamental para ajudar a defini-los como pessoas e a descobrir um sentido de identidade. Temos muito a (re)aprender sobre criatividade, inovação e resolução de problemas observando a relação da criança com o brincar - você conhece o desafio do marshmallow? ;)


Quando observo meu filho ou outras crianças brincando, percebo que muita coisa está acontecendo ali, para além do montar blocos; da mesma forma, observo nos adultos que muita coisa também está acontecendo num workshop de Lego Serious Play, por exemplo. São pessoas experimentando, construindo cenários, elaborando situações críticas e acessando, individual e coletivamente um conhecimento e sabedoria que dificilmente seria acessado a partir de processos ou dinâmicas mais tradicionais.


Brincar nos ajuda a elaborar e construir sentido e significado.

Brincar nos ajuda a resolver problemas a partir de novos enfoques e pontos de vista. Nos ajuda a organizar as ideias, pensamentos; O lúdico une as pessoas, abrindo espaço para diálogos e trocas de opinião de forma mais positiva e confortável; Ativa nossos sentidos, sentir e habilidades, nos colocando no nosso flow. Brincar possibilita nos colocarmos no lugar do outro, simular situações. E mais: brincar nos ajuda a fazer conexões entre diferentes partes do cérebro que não foram necessariamente conectadas antes.


Dá pra brincar de forma séria?

Você não precisa mudar tudo no seu processo de trabalho para adicionar um pouco mais de diversão ou ter um mindset playful. Seja um aquecimento criativo, dramatização ou mover suas mesas e cadeiras para um arranjo mais colaborativo, existem pequenas maneiras de praticar uma mentalidade lúdica como um passo para gerar ideias mais criativas.


Muitas vezes, usar recursos, métodos e ferramentas de colaboração e criação mais leves, lúdicas, que coloquem os participantes num estado mais fluido, pode desencadear não só processos, mas também resultados diferentes - é isso o que buscamos construir aqui no Sincera Space no desenvolvimento de nossas ferramentas e métodos. Serem usados como estrutura para que as pessoas possam fluir.


Finalizo essa reflexão com uma provocação:

Como você pode trazer o lúdico e uma mentalidade playful e experimental para o seu trabalho hoje?


 

Dicas para trazer uma mentalidade mais lúdica e playful para o seu trabalho:


1. Pratique role play, jogos e simulação de cenários

Somos todos tão bons em interpretar papéis quando crianças. Usamos nossa imaginação para assumir todos os tipos de personas. Como adultos, muitas vezes ficamos presos a desempenhar um papel no trabalho: o nosso. Em seu próximo projeto, veja como suas contribuições podem ser diferentes se você assumir ativamente diferentes papéis.


2. Faça algo com as mãos

Seja físico ou digital, o ato de fazer permite que você pense no fazer. Chamado de brincadeira construtiva, esse é um comportamento comum em crianças. As crianças aprendem a construir com blocos empilhando-os e derrubando-os repetidamente. O Manual Thinking conecta o pensar com o sentir.


3. Modele o espaço para estimular a criação

Você precisa de um ambiente seguro e estimulante para a experimentação. O espaço é um recurso subutilizado pelas empresas, porque na maioria das vezes é otimizado para eficiência, em vez de projetar como você espera que as pessoas ajam nele. O espaço aberto, flexível e adaptável incentiva a colaboração e a interação.


4. Arranje tempo para aquecimentos criativos

Se você espera mudar para uma mentalidade playful, tente iniciar sua reunião com um exercício que faça as pessoas desenharem ou sonharem. Algo que sinaliza que eles estão entrando em um momento mais lúdico. As atividades de aquecimento ajudam a preparar e transpor as pessoas de um estado para o outro.


5. Use diferentes recursos, estímulos, ferramentas e meios de expressão

Cada pessoa reage de forma diferente dependendo do estímulo ou ferramenta utilizada para criar. Cada pessoa cria e pensa de forma diferente, utilizando diferentes habilidades, para além da Lógico-matemática ou Verbal-Linguística. Disponibilize diferentes recursos, de naturezas diferentes para que as pessoas consigam utilizá-las e se expressar a partir de suas habilidades mais fortes.